sábado, 24 de janeiro de 2009

MPB

Eis que a tarde se desfaz e
A noite cai entre nós.
Treva iluminada por incertezas
De um nebuloso luar
Que desponta no horizonte.
Re-começo no ocaso, por acaso
O inseguro luar, nada romântico,
Hoje é minguado, minguante.
E nunca iluminou poesias,
Escritas ou cantadas, tampouco
Inspirou a amantes.

Vacilante, a luz treme e cede.
A escuridão nos abraça,
Dá lugar e sentido a nossas almas.
Nossos corpos se tocam lentamente
Pela primeira vez, de novo.
Entre o breu e a tremeluzia
Nossos olhares se encontram
E se perdem. Cegos que se amam
Pelo tato. Lábios sôfregos e mãos lânguidas
Encontram lágrimas na noite.
Uns abraços, um afago, desnudos enfim.

Sem trocar sequer uma palavra,
Apenas nos amamos, a noite
Era nossa. E por toda ela
Nos completamos. O tempo se esvai,
Meu corpo, flácido, já não pede por mais.
Saciado, levanto e miro o sol que arma
Seus primeiros fachos. Sua luz traz
A certeza do retorno a mim mesmo.
Pago à bela moça, por sua companhia,
Seu corpo e seu alento. Despeço-me, num aceno,
E deixo a noite cair na treva da lembrança.

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