Nesta vida, procurei abrigo em muitos lugares. Em abraços e beijos sinceros, comprados ou roubados. Encontrei prazeres, torpores, amigos de ocasião, mulheres de oportunidade. Hoje percebo que o que eu procurava era o sentido nestes “espelhos”.
Muitos já se foram. Confesso que tentei substituir aquelas raras almas insubstituíveis que cruzaram meu caminho e depois de pouco tempo partiram para nunca mais voltar. Assim como quis esquecer algumas pessoas e as inesquecíveis porradas que levei delas; as cicatrizes que ficaram. Busquei tal esquecimento no fundo de uma garrafa ou em vícios de final de semana, mas falhei miseravelmente.
Apaixonei-me incontáveis vezes por mãos, sorrisos, olhos, perfumes e personalidades. Amei e fui amado, é claro. Fui amado e não amei. Quando amei e só encontrei o vazio de um olhar de lado, o silêncio de um sorriso amarelo, aprendi, também, a reconhecer o amargo sabor do desprezo.
Já chorei muito, é verdade. Chorei de rir, mas também ao ouvir músicas, assistir filmes ou em despedidas de amigos. Chorei de saudade e de medo. Temia perder e, ao final, perdi. Aprendi a vibrar apaixonadamente ao sabor de uma nova descoberta. Mas hoje, comedidamente, expresso minha alegria de forma discreta. Dizem que eu amadureci. Já passei vergonha por gargalhadas fora de hora. Assim como fiz gargalhar amigos em momentos de penúria e desolação. Aconselhei e fingi ser forte diante dos problemas de meus irmãos e irmãs. Padeci com a galhofa dos que zombaram de minha sinceridade e, sem titubear, devolvi na mesma moeda.
Já deturpei minha integridade, fui contraditório e contraventor. Invejei e fui alvo de inveja. Fui um atrevido, vivi e aprendi a amar e sofrer, a perder com classe e vencer com humildade. Mas que atire a primeira pedra quem nunca foi um mal vencedor ou um perdedor orgulhoso. Eu fui e serei novamente, tenho certeza.
Aprendi a ser sinceramente falso com algumas pessoas. A sorrir quando sofro em silêncio ou para aqueles que não gostam de mim. A dizer que “está tudo ótimo!” e fazer de conta que estou bem quando ouço um plástico e burocrático “como vai?”. Calei diante de erros que clamavam por denúncia. Ouvi críticas injustas e permaneci em silêncio. Também apanhei muito por dizer o que pensava. Não aprendi com meus erros, que são sempre novos e me surpreendem a cada vez que vêm a lume. Lutei contra algumas injustiças; quis mudar o mundo! Quis até ser perfeito, imagine, e não enganei ninguém, senão a mim mesmo.
Vaguei sem destino por bairros distantes de onde eu moro só para, “por acaso”, encontrar alguém; algum alento. Já liguei só para ouvir uma voz querida. Não atendi ao telefone quando sabia que seria indesejável. Virei a cara e fingi não ver quem passava ao meu lado, embora eu odeie quando façam isso comigo.
Já fui tachado de cínico, hipócrita, dissimulado, sonso, falso-modesto, burro, ignorante, arrogante, pedante e até mesmo esnobe. Certamente fi-lo também e, no calor do momento (ou não), muitas vezes fui injusto e covarde. No limite, aprendi muito sobre as leituras que fizeram de mim, e sobre como fui (e sou) visto por outrem, à parte daqueles, é claro, que realmente levam em altíssima conta a si mesmos e a mais ninguém. Perdôo-os a quase todos (não sou perfeito, sabe?), pois eles carecem de espelhos em suas casas; que dirá em suas vidas?
Tive o ego inflado e fui vaidoso, devo admitir. Joguei o jogo da sedução quando me sentia por baixo só para me sentir desejado. Por isso, tive de aprender a ser odiado. Já fui, também, rejeitado por muitas mulheres. Odiei-as quase todas. Assim como elas, eu aprendi a odiar quando percebi que não encantava (ou pelo menos não mais) a alguém.
Aprendi também a entender que o mais comum é odiar a alguém ou a alguma situação quando somos o alvo daquilo que sabemos que já perpetramos a outros. Quando lembramo-nos, a sofrer na própria pele, aquilo que já fizemos aos outros e quisemos esquecer, deixar cair nas trevas da memória.
Depois de conhecer o sentimento que se segue ao desapontamento diante das pessoas que nunca pensei que iriam me decepcionar, percebi, finalmente, que decepcionei muitos amigos. Aprendi muito sobre o perdão. Principalmente quando, depois de cometer erros imperdoáveis, encontrei a redenção que muitas vezes não mereci. Tento diariamente aprender a compreender os que me machucam e depositam em mim a razão de suas frustrações e desafetos. Tento perdoar, pois sei que preciso, precisei e precisarei desse perdão.
Finalmente, acho que aprendi que também sou um espelho. E quando espelhos são dispostos um diante do outro, produzem infinitas imagens. O que você me diz? Seria você também um espelho? Por mais que eu adore a idéia e tenda a concordar, cabe somente a você escolher. Seria maravilhoso se o fosse. Não que as imagens que produziríamos seriam fidedignas, perfeitas, verossímeis ou eternas. Seriam visões e opiniões num diálogo que não cessaria e nem teria como terminar. Um diálogo que nos constituiria a ambos. Que seria cada um de nós. Estendo meu convite a você e a quem interessar possa. Que tal?
Muitos já se foram. Confesso que tentei substituir aquelas raras almas insubstituíveis que cruzaram meu caminho e depois de pouco tempo partiram para nunca mais voltar. Assim como quis esquecer algumas pessoas e as inesquecíveis porradas que levei delas; as cicatrizes que ficaram. Busquei tal esquecimento no fundo de uma garrafa ou em vícios de final de semana, mas falhei miseravelmente.
Apaixonei-me incontáveis vezes por mãos, sorrisos, olhos, perfumes e personalidades. Amei e fui amado, é claro. Fui amado e não amei. Quando amei e só encontrei o vazio de um olhar de lado, o silêncio de um sorriso amarelo, aprendi, também, a reconhecer o amargo sabor do desprezo.
Já chorei muito, é verdade. Chorei de rir, mas também ao ouvir músicas, assistir filmes ou em despedidas de amigos. Chorei de saudade e de medo. Temia perder e, ao final, perdi. Aprendi a vibrar apaixonadamente ao sabor de uma nova descoberta. Mas hoje, comedidamente, expresso minha alegria de forma discreta. Dizem que eu amadureci. Já passei vergonha por gargalhadas fora de hora. Assim como fiz gargalhar amigos em momentos de penúria e desolação. Aconselhei e fingi ser forte diante dos problemas de meus irmãos e irmãs. Padeci com a galhofa dos que zombaram de minha sinceridade e, sem titubear, devolvi na mesma moeda.
Já deturpei minha integridade, fui contraditório e contraventor. Invejei e fui alvo de inveja. Fui um atrevido, vivi e aprendi a amar e sofrer, a perder com classe e vencer com humildade. Mas que atire a primeira pedra quem nunca foi um mal vencedor ou um perdedor orgulhoso. Eu fui e serei novamente, tenho certeza.
Aprendi a ser sinceramente falso com algumas pessoas. A sorrir quando sofro em silêncio ou para aqueles que não gostam de mim. A dizer que “está tudo ótimo!” e fazer de conta que estou bem quando ouço um plástico e burocrático “como vai?”. Calei diante de erros que clamavam por denúncia. Ouvi críticas injustas e permaneci em silêncio. Também apanhei muito por dizer o que pensava. Não aprendi com meus erros, que são sempre novos e me surpreendem a cada vez que vêm a lume. Lutei contra algumas injustiças; quis mudar o mundo! Quis até ser perfeito, imagine, e não enganei ninguém, senão a mim mesmo.
Vaguei sem destino por bairros distantes de onde eu moro só para, “por acaso”, encontrar alguém; algum alento. Já liguei só para ouvir uma voz querida. Não atendi ao telefone quando sabia que seria indesejável. Virei a cara e fingi não ver quem passava ao meu lado, embora eu odeie quando façam isso comigo.
Já fui tachado de cínico, hipócrita, dissimulado, sonso, falso-modesto, burro, ignorante, arrogante, pedante e até mesmo esnobe. Certamente fi-lo também e, no calor do momento (ou não), muitas vezes fui injusto e covarde. No limite, aprendi muito sobre as leituras que fizeram de mim, e sobre como fui (e sou) visto por outrem, à parte daqueles, é claro, que realmente levam em altíssima conta a si mesmos e a mais ninguém. Perdôo-os a quase todos (não sou perfeito, sabe?), pois eles carecem de espelhos em suas casas; que dirá em suas vidas?
Tive o ego inflado e fui vaidoso, devo admitir. Joguei o jogo da sedução quando me sentia por baixo só para me sentir desejado. Por isso, tive de aprender a ser odiado. Já fui, também, rejeitado por muitas mulheres. Odiei-as quase todas. Assim como elas, eu aprendi a odiar quando percebi que não encantava (ou pelo menos não mais) a alguém.
Aprendi também a entender que o mais comum é odiar a alguém ou a alguma situação quando somos o alvo daquilo que sabemos que já perpetramos a outros. Quando lembramo-nos, a sofrer na própria pele, aquilo que já fizemos aos outros e quisemos esquecer, deixar cair nas trevas da memória.
Depois de conhecer o sentimento que se segue ao desapontamento diante das pessoas que nunca pensei que iriam me decepcionar, percebi, finalmente, que decepcionei muitos amigos. Aprendi muito sobre o perdão. Principalmente quando, depois de cometer erros imperdoáveis, encontrei a redenção que muitas vezes não mereci. Tento diariamente aprender a compreender os que me machucam e depositam em mim a razão de suas frustrações e desafetos. Tento perdoar, pois sei que preciso, precisei e precisarei desse perdão.
Finalmente, acho que aprendi que também sou um espelho. E quando espelhos são dispostos um diante do outro, produzem infinitas imagens. O que você me diz? Seria você também um espelho? Por mais que eu adore a idéia e tenda a concordar, cabe somente a você escolher. Seria maravilhoso se o fosse. Não que as imagens que produziríamos seriam fidedignas, perfeitas, verossímeis ou eternas. Seriam visões e opiniões num diálogo que não cessaria e nem teria como terminar. Um diálogo que nos constituiria a ambos. Que seria cada um de nós. Estendo meu convite a você e a quem interessar possa. Que tal?
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