Amor fati...
Esta é a “fórmula para a grandeza do homem” e que significa não querer nada diferente do que é. Pelo menos, assim o suponho.
Nem o futuro, nem o passado. Somente o que é, por toda a eternidade e sempre de novo.
Não suportar o que é necessário, ou, pelo menos, não apenas. Porém, amá-lo.
“Amor fati [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor”.
Amar e não guerrear contra o feio. Não apontar o dedo, não acusar. Nem mesmo aos acusadores. Que sua única negação seja “desviar o olhar”, disseste-o mais de uma vez.
E dizias tu, ó mestre, tudo somado e em suma: “quero ser, algum dia, apenas alguém que diz sim”. Amar o inevitável, o destino, o justo e o injusto, o próprio amor e o desamor. Ou seja, querias “ser, antes de tudo, um forte”, sem se reclamar da vida.
E o sofrimento, pergunta-me? Ora, responderia eu há momentos atrás, devemos amá-lo. Sim, amá-lo como vida! Pensei ter aprendido bem a lição. Ledo engano; vã ilusão.
Eis que, momentos depois, encontro-me, pois, diante de minha pequenice. Minha miséria, minha fraqueza e incongruência; minha contradição e paroxismo. Amo-os ou deixo-os?
Porém, caro mestre, pequeno sou também diante de ti e de vosso fati. Vosso destino e maior projeto: o filósofo do dia depois de amanhã. Um destino por mim tão querido. Admirado em minha infinita insignificância. A ilusão da força que eu tanto almejei. Um horizonte apenas. Um sonho... Talvez.
Mestre... Tu que, para além do bem e do mal, fostes um sonhador. Que tanto segui e em quem me espelhei, sonhador que sou.
Mas pequeno sou, porém, diante daqueles que aviltam com um poder que eu desconheço. O poder de escolher por mim e de separar o certo e o errado. Escolher quem é meu amigo, meu inimigo, meu aliado.
Escolhem até quem sou. Ou quem deveria ser. Ou, pior ainda, quem querem que eu seja... até morrer.
Temo por mim. Mas por eles também.
Arrogam-se de um poder que é tão efêmero quanto ilusório e passageiro. E... Diabos! São tão contraditórios quanto eu. Uns com lágrimas, outros com gracejos. Tanta simpatia... Uma cordialidade tão brasileira, não é mesmo “meus amigos”?
Fulminam, execram, exilam, trituram vidas, sonhos e projetos. Oferecem-nos a mão. Em solidariedade, não há dúvidas.
Querem nos proteger.
Proteger deles mesmos.
Proteção. Este gesto tão católico quanto a culpa que os consome. E na mão solidária, a escolha: a cruz ou a espada, a morte ou a conversão.
Oferecem favores. Saboreiam e se deliciam com seu doce veneno. E depois? Bom... às favas com o pobre diabo. A culpa que acomete alguns às lágrimas (depois da chantagem), deixa outros em torpores orgásticos.
E nem penses tu, ó sapientíssimo, numa torrente de sangue que traria o rubor às faces. Sua moralidade cessa diante de sua vaidade. É véu, e somente vela a luxúria, sua maior carência e necessidade.
Quem diria, querido mentor, o apolíneo feito véu para os luxos e a luxúria do dionisíaco.
Eis-me ainda diante de minha pequenez.
A minha vida e meu amor em crise.
Meus sonhos em pedaços.
O desespero, a dúvida, a raiva e o rancor. Tão humano quanto sou, julgo, peso, indago. Perdido permaneço.
Por um segundo me engano e brado por justiça. Apenas para cair em mais uma contradição. Esta mesma que me tornei hoje entre o amar ou não esta condição. Amá-la como vida, e o fato de já a ter escolhido vivê-la sempre de novo e de novo.
Curioso entre-dous: entre o fato e o fado.
Poderei sonhar outra vez? Deverei amar este fato: meu sonho, meu aborto? Amar a vida que torna e retorna e sempre retornará de novo e de novo?
Hoje sou o pequeno fruto de um ventre outrora prenhe de um sonho. O fruto de um aborto.
Nada de novo ontem, hoje ou amanhã. Sempre o mesmo retorno.
Ah, mestre, e eu que quis apenas ser um forte; ser grandioso. Poder apenas dizer: "sim"!
Mas hoje... bom, hoje "não".
Hoje sou apenas humano.
Demasiadamente...
Pequeno...
Contraditório...
Insuficiente.
Esta é a “fórmula para a grandeza do homem” e que significa não querer nada diferente do que é. Pelo menos, assim o suponho.
Nem o futuro, nem o passado. Somente o que é, por toda a eternidade e sempre de novo.
Não suportar o que é necessário, ou, pelo menos, não apenas. Porém, amá-lo.
“Amor fati [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor”.
Amar e não guerrear contra o feio. Não apontar o dedo, não acusar. Nem mesmo aos acusadores. Que sua única negação seja “desviar o olhar”, disseste-o mais de uma vez.
E dizias tu, ó mestre, tudo somado e em suma: “quero ser, algum dia, apenas alguém que diz sim”. Amar o inevitável, o destino, o justo e o injusto, o próprio amor e o desamor. Ou seja, querias “ser, antes de tudo, um forte”, sem se reclamar da vida.
E o sofrimento, pergunta-me? Ora, responderia eu há momentos atrás, devemos amá-lo. Sim, amá-lo como vida! Pensei ter aprendido bem a lição. Ledo engano; vã ilusão.
Eis que, momentos depois, encontro-me, pois, diante de minha pequenice. Minha miséria, minha fraqueza e incongruência; minha contradição e paroxismo. Amo-os ou deixo-os?
Porém, caro mestre, pequeno sou também diante de ti e de vosso fati. Vosso destino e maior projeto: o filósofo do dia depois de amanhã. Um destino por mim tão querido. Admirado em minha infinita insignificância. A ilusão da força que eu tanto almejei. Um horizonte apenas. Um sonho... Talvez.
Mestre... Tu que, para além do bem e do mal, fostes um sonhador. Que tanto segui e em quem me espelhei, sonhador que sou.
Mas pequeno sou, porém, diante daqueles que aviltam com um poder que eu desconheço. O poder de escolher por mim e de separar o certo e o errado. Escolher quem é meu amigo, meu inimigo, meu aliado.
Escolhem até quem sou. Ou quem deveria ser. Ou, pior ainda, quem querem que eu seja... até morrer.
Temo por mim. Mas por eles também.
Arrogam-se de um poder que é tão efêmero quanto ilusório e passageiro. E... Diabos! São tão contraditórios quanto eu. Uns com lágrimas, outros com gracejos. Tanta simpatia... Uma cordialidade tão brasileira, não é mesmo “meus amigos”?
Fulminam, execram, exilam, trituram vidas, sonhos e projetos. Oferecem-nos a mão. Em solidariedade, não há dúvidas.
Querem nos proteger.
Proteger deles mesmos.
Proteção. Este gesto tão católico quanto a culpa que os consome. E na mão solidária, a escolha: a cruz ou a espada, a morte ou a conversão.
Oferecem favores. Saboreiam e se deliciam com seu doce veneno. E depois? Bom... às favas com o pobre diabo. A culpa que acomete alguns às lágrimas (depois da chantagem), deixa outros em torpores orgásticos.
E nem penses tu, ó sapientíssimo, numa torrente de sangue que traria o rubor às faces. Sua moralidade cessa diante de sua vaidade. É véu, e somente vela a luxúria, sua maior carência e necessidade.
Quem diria, querido mentor, o apolíneo feito véu para os luxos e a luxúria do dionisíaco.
Eis-me ainda diante de minha pequenez.
A minha vida e meu amor em crise.
Meus sonhos em pedaços.
O desespero, a dúvida, a raiva e o rancor. Tão humano quanto sou, julgo, peso, indago. Perdido permaneço.
Por um segundo me engano e brado por justiça. Apenas para cair em mais uma contradição. Esta mesma que me tornei hoje entre o amar ou não esta condição. Amá-la como vida, e o fato de já a ter escolhido vivê-la sempre de novo e de novo.
Curioso entre-dous: entre o fato e o fado.
Poderei sonhar outra vez? Deverei amar este fato: meu sonho, meu aborto? Amar a vida que torna e retorna e sempre retornará de novo e de novo?
Hoje sou o pequeno fruto de um ventre outrora prenhe de um sonho. O fruto de um aborto.
Nada de novo ontem, hoje ou amanhã. Sempre o mesmo retorno.
Ah, mestre, e eu que quis apenas ser um forte; ser grandioso. Poder apenas dizer: "sim"!
Mas hoje... bom, hoje "não".
Hoje sou apenas humano.
Demasiadamente...
Pequeno...
Contraditório...
Insuficiente.
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